Herpes: tipos, sintomas e tratamentos completos
Você já sentiu aquelas bolhinhas dolorosas que aparecem nos lábios ou percebeu uma erupção cutânea em forma de faixa em um lado do corpo? Provavelmente você teve contato com algum tipo de herpes. Esta é uma das infecções virais mais comuns no mundo, mas muita gente ainda tem dúvidas sobre ela. Neste guia completo, vamos desvendar tudo sobre os diferentes tipos de herpes, seus sintomas, formas de transmissão e, principalmente, como tratar e prevenir.
O Que É Herpes? Entendendo o Básico
O herpes é uma infecção viral causada por vírus da família Herpesviridae. O nome vem do grego “herpein”, que significa “rastejar” ou “arrastar-se”, uma referência à facilidade com que esses vírus se espalham e à sua natureza recorrente.
Uma característica marcante desses vírus é que, uma vez que você é infectado, eles permanecem no seu corpo para sempre. Eles ficam “dormindo” nos gânglios nervosos e podem reativar periodicamente, causando novos surtos. É como ter um hóspede permanente que ocasionalmente decide fazer uma visita indesejada.
Existem oito tipos conhecidos de vírus herpes que podem infectar humanos, mas os três mais comuns e clinicamente importantes são:
- Herpes Simplex tipo 1 (HSV-1) – principalmente herpes labial
- Herpes Simplex tipo 2 (HSV-2) – principalmente herpes genital
- Vírus Varicela-Zóster (VZV ou HSV-3) – causa varicela e herpes zóster
Vamos explorar cada um deles em detalhes.
Herpes Simplex Tipo 1 (HSV-1): O Herpes Labial
O HSV-1 é extremamente comum. Estima-se que cerca de 3,8 bilhões de pessoas menores de 50 anos em todo o mundo estejam infectadas, o que representa aproximadamente 64% da população global. No Brasil, mais de 90% dos adultos possuem anticorpos contra esse vírus.
Como Se Transmite o HSV-1?
A transmissão do HSV-1 acontece principalmente através do contato direto de boca a boca. As formas mais comuns incluem:
- Beijos ou contato próximo com alguém que tenha lesões ativas
- Compartilhamento de objetos pessoais como talheres, copos, batons ou escovas de dentes
- Contato com saliva de pessoa infectada
- Sexo oral (o HSV-1 também pode causar herpes genital)
O vírus é especialmente contagioso quando há lesões visíveis, mas pode ser transmitido mesmo na ausência de sintomas aparentes, através da liberação viral assintomática.
Sintomas do Herpes Labial
A primeira infecção por HSV-1, chamada de primoinfecção, geralmente ocorre na infância e pode ser mais intensa:
Sintomas da primeira infecção:
- Febre e mal-estar geral
- Dor de cabeça
- Gânglios linfáticos inchados no pescoço
- Múltiplas vesículas dolorosas na boca, gengivas e lábios
- Dor ao engolir
- Duração de 7 a 14 dias
Muitas pessoas não apresentam sintomas na primeira infecção, ou os sintomas são tão leves que passam despercebidos.
Sintomas das recorrências:
Após a infecção inicial, o vírus viaja pelos nervos faciais até os gânglios nervosos, onde permanece latente. Periodicamente, ele pode reativar e causar novos surtos:
- Sensação de formigamento, coceira ou queimação no local onde a lesão aparecerá (pródromo)
- Pequenas bolhas agrupadas com líquido claro
- As bolhas se rompem, formando úlceras dolorosas
- Formação de crostas enquanto cicatrizam
- Duração típica de 7 a 10 dias
Fatores Desencadeantes do Herpes Labial
Certos fatores podem despertar o vírus adormecido:
- Estresse físico ou emocional intenso
- Exposição excessiva ao sol
- Febre ou outras infecções
- Menstruação
- Fadiga extrema
- Imunidade baixa
- Trauma local nos lábios
- Procedimentos dentários
Herpes Simplex Tipo 2 (HSV-2): O Herpes Genital
O HSV-2 é o principal causador do herpes genital, embora o HSV-1 também possa infectar a região genital através do sexo oral. Estima-se que 520 milhões de pessoas entre 15 e 49 anos em todo o mundo tenham infecção por HSV-2, representando cerca de 13% dessa faixa etária.
Como Se Transmite o HSV-2?
A transmissão do HSV-2 ocorre principalmente através do contato sexual:
- Relações sexuais vaginais, anais ou orais
- Contato pele a pele durante atividade sexual
- Transmissão da mãe para o bebê durante o parto (herpes neonatal)
O uso de preservativos reduz significativamente o risco de transmissão, mas não elimina completamente, pois o vírus pode estar presente em áreas não cobertas pelo preservativo.
Sintomas do Herpes Genital
Primeira infecção:
A primoinfecção genital costuma ser mais severa que as recorrências:
- Múltiplas vesículas dolorosas na região genital, ânus ou coxas
- Febre, dores musculares e mal-estar
- Dor ao urinar
- Corrimento genital
- Gânglios inguinais inchados e dolorosos
- Duração de 2 a 4 semanas
Infecções recorrentes:
Os episódios recorrentes geralmente são mais brandos:
- Sensação de formigamento ou ardência antes do aparecimento das lesões
- Bolhas em menor quantidade
- Cicatrização mais rápida (5 a 10 dias)
- Sintomas sistêmicos ausentes ou muito leves
A frequência das recorrências varia muito de pessoa para pessoa. Alguns indivíduos têm apenas um ou dois episódios ao ano, enquanto outros podem ter surtos mensais.
Complicações do Herpes Genital
Embora geralmente não seja grave, o herpes genital pode ter algumas complicações:
- Aumenta o risco de contrair e transmitir HIV
- Pode causar meningite asséptica em casos raros
- O herpes neonatal, quando o bebê é infectado durante o parto, pode ser grave e até fatal
- Impacto psicológico e emocional significativo
Herpes Zóster (Cobreiro ou Culebrilla)
O herpes zóster é causado pela reativação do vírus varicela-zóster (VZV), o mesmo vírus que causa a catapora. Após você ter catapora, geralmente na infância, o vírus não é eliminado do corpo. Ele fica “escondido” nos gânglios nervosos e pode reativar décadas depois, geralmente quando a imunidade está comprometida.
Quem Está em Risco?
Qualquer pessoa que já teve catapora pode desenvolver herpes zóster, mas o risco aumenta significativamente:
- Após os 50 anos de idade
- Em pessoas com sistema imunológico enfraquecido (HIV, câncer, transplantados)
- Durante tratamentos que suprimem a imunidade (quimioterapia, corticoides)
- Em situações de estresse extremo
- Com doenças autoimunes
Estima-se que 10 a 20% das pessoas que tiveram catapora desenvolverão herpes zóster em algum momento da vida, e esse risco aumenta com a idade.
Sintomas do Herpes Zóster
O herpes zóster tem uma apresentação bastante característica:
Fase inicial (pródromos – 1 a 5 dias):
- Dor, formigamento ou ardência em uma área específica do corpo
- Pode haver febre, dor de cabeça e mal-estar
- A dor pode ser intensa mesmo antes das lesões aparecerem
Fase eruptiva (5 a 10 dias):
- Erupção cutânea com vesículas em forma de faixa ou fita
- Geralmente afeta apenas um lado do corpo (unilateral)
- Segue o trajeto de um nervo específico (dermátomo)
- As áreas mais comuns são tórax, abdômen e face
- As vesículas contêm líquido claro que pode se tornar turvo
Fase de resolução (7 a 14 dias):
- As vesículas secam e formam crostas
- A cicatrização completa pode levar de 2 a 4 semanas
A Neuralgia Pós-Herpética: A Complicação Mais Comum
A neuralgia pós-herpética (NPH) é a complicação mais frequente e mais temida do herpes zóster. Ela se caracteriza por dor crônica que persiste por mais de 90 dias após o desaparecimento das lesões cutâneas.
A dor da NPH pode ser:
- Constante ou intermitente
- Em queimação, choque elétrico ou latejante
- Agravada pelo toque leve (alodinia)
- Extremamente debilitante e difícil de tratar
O risco de desenvolver NPH aumenta com a idade e afeta cerca de 10 a 18% dos pacientes com herpes zóster, mas pode chegar a 50% em pessoas acima de 60 anos.
Como É Feito o Diagnóstico?
Na maioria dos casos, o diagnóstico do herpes é clínico, baseado na aparência característica das lesões e nos sintomas relatados pelo paciente.
Exames Confirmatórios
Quando há dúvida diagnóstica ou necessidade de confirmação, podem ser solicitados:
Cultura viral: Coleta do líquido das vesículas para cultivo em laboratório. É o método mais específico, mas requer que as lesões estejam ativas.
PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): Detecta o DNA viral com alta sensibilidade e especificidade. É o teste mais moderno e preciso, capaz de identificar o tipo específico de vírus.
Teste de Tzanck: Exame microscópico do material das vesículas. Menos usado atualmente, pois não diferencia entre HSV-1, HSV-2 e VZV.
Sorologia (teste de anticorpos):
- IgM: indica infecção recente ou ativa
- IgG: indica contato prévio com o vírus (infecção antiga)
É importante entender que um resultado positivo de IgG apenas confirma que você teve contato com o vírus em algum momento da vida, não necessariamente que você tem uma infecção ativa no momento.
Tratamentos Disponíveis: Como Controlar o Herpes
Embora não exista cura definitiva para o herpes, os tratamentos atuais são muito eficazes em controlar os sintomas, reduzir a duração dos surtos e diminuir a transmissão.
Medicamentos Antivirais: A Base do Tratamento
Os antivirais funcionam bloqueando a replicação do vírus, impedindo que ele se multiplique dentro das células. Os três principais medicamentos utilizados são:
Aciclovir
O aciclovir é o antiviral mais antigo e mais utilizado para herpes. Ele funciona interferindo na síntese do DNA viral.
Para Herpes Labial:
- Comprimidos: 200 mg, 5 vezes ao dia por 5 dias
- Creme 5%: Aplicar 5 vezes ao dia por 4 dias
- Iniciar o tratamento logo nos primeiros sinais
Para Herpes Genital (primeiro episódio):
- 200 mg, 5 vezes ao dia por 7 a 10 dias
- Ou 400 mg, 3 vezes ao dia por 7 a 10 dias
- Em casos graves, pode ser necessária administração intravenosa
Para Herpes Genital (recorrências):
- 200 mg, 5 vezes ao dia por 5 dias
- Ou 800 mg, 3 vezes ao dia por 2 dias
- Iniciar nas primeiras 48 horas para maior eficácia
Para Herpes Zóster:
- 800 mg, 5 vezes ao dia por 7 a 10 dias
- Deve ser iniciado nas primeiras 72 horas da erupção
- Em imunocomprometidos, pode ser necessário via intravenosa
Vantagens do aciclovir:
- Custo mais acessível
- Amplamente disponível
- Perfil de segurança bem estabelecido
- Pode ser usado em crianças e gestantes (com orientação médica)
Desvantagens:
- Necessidade de múltiplas doses diárias
- Menor biodisponibilidade oral (apenas 15-30% é absorvido)
Valaciclovir
O valaciclovir é um pró-fármaco do aciclovir, o que significa que ele é convertido em aciclovir no organismo. Sua grande vantagem é a melhor absorção intestinal.
Para Herpes Labial:
- 2 gramas, 2 vezes ao dia por 1 dia
- Ou 1 grama, 2 vezes ao dia por 1 dia
Para Herpes Genital (primeiro episódio):
- 1 grama, 2 vezes ao dia por 10 dias
Para Herpes Genital (recorrências):
- 500 mg, 2 vezes ao dia por 3 a 5 dias
Para Herpes Zóster:
- 1 grama, 3 vezes ao dia por 7 dias
Vantagens do valaciclovir:
- Posologia mais confortável (menos doses por dia)
- Melhor absorção (biodisponibilidade de 54%)
- Maior adesão ao tratamento
- Eficácia superior ao aciclovir na redução da dor
Desvantagens:
- Custo mais elevado
Fanciclovir
O fanciclovir é outro pró-fármaco, convertido em penciclovir no organismo.
Para Herpes Genital:
- 250 mg, 3 vezes ao dia por 5 a 7 dias
Para Herpes Zóster:
- 500 mg, 3 vezes ao dia por 7 dias
Vantagens:
- Eficácia similar ao valaciclovir
- Boa tolerabilidade
Desvantagens:
- Menos disponível no Brasil
- Custo elevado
Terapia Supressiva: Para Quem Tem Recorrências Frequentes
Se você tem herpes genital e sofre com mais de 6 recorrências por ano, a terapia supressiva pode ser uma excelente opção. Consiste em tomar antivirais diariamente, mesmo sem lesões ativas.
Doses para terapia supressiva:
- Aciclovir: 400 mg, 2 vezes ao dia
- Valaciclovir: 500 mg ou 1 grama, 1 vez ao dia
Benefícios da terapia supressiva:
- Reduz em 70 a 80% o número de recorrências
- Diminui a liberação viral assintomática
- Reduz em 50% o risco de transmissão para parceiros
- Melhora significativamente a qualidade de vida
A terapia supressiva pode ser mantida por períodos prolongados (anos) com segurança, sob supervisão médica.
Tratamento da Dor no Herpes Zóster
Além dos antivirais, o manejo da dor é fundamental no herpes zóster:
Para dor aguda:
- Analgésicos simples: paracetamol, dipirona
- Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)
- Analgésicos opioides em casos graves
Para neuralgia pós-herpética:
- Antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, nortriptilina)
- Anticonvulsivantes (gabapentina, pregabalina)
- Lidocaína tópica 5%
- Capsaicina creme
- Bloqueios nervosos em casos refratários
Cuidados Tópicos e Medidas de Conforto
Além dos medicamentos, algumas medidas podem ajudar:
Durante os surtos:
- Mantenha a área afetada limpa e seca
- Evite romper as vesículas
- Use roupas soltas e confortáveis
- Aplique compressas frias para aliviar a dor
- Evite exposição ao sol nas lesões labiais
- Não compartilhe objetos pessoais
Para herpes labial:
- Protetor labial com FPS durante e após a cicatrização
- Evite alimentos ácidos ou salgados que possam irritar
- Não arranque as crostas
Para herpes genital:
- Mantenha a região genital limpa e seca
- Use roupa íntima de algodão
- Urinar pode ser doloroso – tente urinar em água morna no chuveiro
- Evite relações sexuais durante os surtos
Tratamentos Alternativos e Complementares
Embora não substituam o tratamento antiviral, algumas abordagens complementares podem ajudar:
Lisina: Aminoácido que pode competir com a arginina (necessária para replicação viral). Doses de 1 a 3 gramas por dia podem reduzir recorrências em algumas pessoas.
Própolis: Possui propriedades antivirais e pode acelerar a cicatrização quando aplicado topicamente.
Melissa (erva-cidreira): Extrato tópico pode reduzir sintomas e acelerar a cura das lesões labiais.
Aloe vera: Pode aliviar sintomas e acelerar a cicatrização.
Suplementação de zinco: Pode fortalecer o sistema imunológico e reduzir recorrências.
É importante ressaltar que esses tratamentos complementares devem ser usados em conjunto com o tratamento médico convencional, não como substitutos.
Prevenção: Como Se Proteger do Herpes
Prevenindo a Transmissão do Herpes Simplex
Se você NÃO tem herpes:
- Use preservativos em todas as relações sexuais
- Evite contato sexual com parceiros que tenham lesões ativas
- Não compartilhe objetos pessoais
- Evite beijos ou contato próximo com pessoas com herpes labial ativo
Se você TEM herpes:
- Informe seus parceiros sobre sua condição
- Use preservativos mesmo na ausência de lesões
- Evite relações sexuais durante surtos ativos
- Considere terapia supressiva se tiver recorrências frequentes
- Não compartilhe objetos pessoais durante surtos
- Evite sexo oral se tiver herpes labial ativo
A Vacina Contra Herpes Zóster: Proteção Eficaz
A boa notícia é que existe vacina para prevenir o herpes zóster! Atualmente, há duas vacinas disponíveis:
Vacina Recombinante com Adyuvante (Shingrix)
Esta é a vacina mais moderna e recomendada atualmente.
Eficácia:
- 97% de proteção em pessoas de 50 a 69 anos
- 91% de proteção em pessoas acima de 70 anos
- 91% de redução da neuralgia pós-herpética
Esquema de vacinação:
- 2 doses com intervalo de 2 a 6 meses
- Aplicação intramuscular
Indicação:
- Adultos a partir de 50 anos
- Adultos a partir de 18 anos com imunossupressão
- Mesmo quem já teve herpes zóster pode se vacinar
- Mesmo quem tomou a vacina anterior (Zostavax) deve tomar Shingrix
Efeitos colaterais:
- Dor, vermelhidão e inchaço no local da injeção (muito comum)
- Fadiga, dor muscular e dor de cabeça (comum)
- Febre e calafrios (menos comum)
Os efeitos adversos são geralmente leves a moderados e desaparecem em poucos dias.
Vacina de Vírus Vivo Atenuado (Zostavax)
Esta vacina foi descontinuada nos Estados Unidos em 2020 e substituída pela Shingrix devido à sua menor eficácia.
Eficácia:
- 51% de redução do herpes zóster
- 67% de redução da neuralgia pós-herpética
Esquema: Dose única
Atualmente, a Shingrix é a vacina preferida e recomendada em todo o mundo.
Descobertas Recentes: Vacina e Demência
Pesquisas recentes da Universidade de Stanford revelaram um benefício surpreendente da vacina contra herpes zóster: ela pode ajudar a prevenir e retardar a demência em pessoas acima de 60 anos.
Um estudo acompanhou mais de 280 mil histórias clínicas e descobriu que pessoas vacinadas tinham:
- Menor risco de desenvolver demência
- Progressão mais lenta da demência já diagnosticada
- Redução de cerca de 30% na mortalidade por demência
Esses achados são promissores e sugerem que controlar infecções virais pode ter benefícios além da prevenção da doença específica.
Fortalecendo o Sistema Imunológico
Manter a imunidade forte é fundamental para prevenir reativações do herpes:
Alimentação equilibrada:
- Consuma frutas e vegetais variados
- Inclua alimentos ricos em lisina (laticínios, carnes, peixes)
- Evite excesso de alimentos ricos em arginina (chocolate, nozes)
- Mantenha-se hidratado
Estilo de vida saudável:
- Durma de 7 a 9 horas por noite
- Pratique exercícios físicos regularmente
- Gerencie o estresse (meditação, yoga, hobbies)
- Evite tabagismo e consumo excessivo de álcool
Suplementação (quando indicada):
- Vitamina C
- Vitamina D
- Zinco
- Complexo B
Herpes e Gravidez: Cuidados Especiais
O herpes durante a gravidez merece atenção especial devido ao risco de transmissão para o bebê durante o parto.
Riscos do Herpes Neonatal
O herpes neonatal é raro (cerca de 10 casos por 100 mil nascimentos), mas pode ser grave:
- Infecções de pele, olhos e boca
- Infecção do sistema nervoso central (encefalite)
- Infecção disseminada (múltiplos órgãos)
- Pode causar sequelas neurológicas permanentes ou morte
Quando o Risco é Maior?
O risco é especialmente alto quando a mãe contrai herpes genital pela primeira vez no terceiro trimestre da gravidez. Nesta situação, não há anticorpos maternos para proteger o bebê.
Manejo na Gravidez
Se você tem histórico de herpes genital:
- Informe seu obstetra logo no início do pré-natal
- Terapia supressiva com aciclovir a partir da 36ª semana
- Dose típica: 400 mg, 3 vezes ao dia
Se houver lesões ativas no momento do parto:
- Cesariana é geralmente recomendada para reduzir o risco de transmissão
- A decisão deve ser individualizada
Se contrair herpes no terceiro trimestre:
- Tratamento imediato com antivirais
- Monitoramento rigoroso
- Discussão sobre via de parto com equipe médica
O aciclovir é considerado seguro durante a gravidez e reduz significativamente o risco de transmissão ao bebê.
Vivendo com Herpes: Aspectos Emocionais e Sociais
Receber o diagnóstico de herpes, especialmente genital, pode ser emocionalmente desafiador. Muitas pessoas experimentam:
- Sentimentos de vergonha ou culpa
- Preocupação com relacionamentos futuros
- Ansiedade sobre transmissão
- Medo de rejeição
- Impacto na autoestima
Lidando com o Diagnóstico
Eduque-se: Compreender a condição ajuda a desmistificar medos e reduzir ansiedade. O herpes é extremamente comum e, para a maioria das pessoas, é uma condição de pele manejável.
Converse com seu médico: Tire todas as suas dúvidas sobre tratamento, prevenção e relacionamentos.
Busque apoio: Considere conversar com um psicólogo ou participar de grupos de apoio online ou presenciais.
Seja honesto nos relacionamentos: A comunicação aberta com parceiros é fundamental. Muitas pessoas são compreensivas quando recebem informações corretas.
Cuide da sua saúde mental: O estresse pode desencadear surtos. Práticas de autocuidado são essenciais.
Desmistificando Estigmas
É importante lembrar:
- O herpes não define quem você é
- Milhões de pessoas vivem com herpes e têm relacionamentos saudáveis
- Com tratamento adequado, é possível reduzir drasticamente surtos e transmissão
- Ter herpes não significa que você foi “promíscuo” – pode ser contraído até em relacionamentos monogâmicos
- O herpes labial é tão comum que a maioria das pessoas nem considera uma condição médica séria
Perguntas Frequentes
P: Herpes tem cura? R: Não existe cura definitiva para o herpes. Uma vez infectado, o vírus permanece no corpo para sempre em estado latente. No entanto, os tratamentos atuais são muito eficazes em controlar sintomas, reduzir surtos e prevenir transmissão.
P: Posso transmitir herpes mesmo sem ter lesões? R: Sim. A transmissão assintomática é possível, especialmente no herpes genital. O vírus pode ser liberado mesmo na ausência de lesões visíveis. Por isso, o uso de preservativos e a terapia supressiva são importantes.
P: Se eu tenho herpes labial, posso dar sexo oral? R: Durante surtos ativos de herpes labial, você deve evitar sexo oral, pois pode transmitir o vírus para a região genital do parceiro, causando herpes genital.
P: Quanto tempo depois de um surto posso ter relações sexuais? R: É recomendado esperar até que todas as lesões estejam completamente cicatrizadas. Geralmente, isso leva de 7 a 10 dias. Mesmo após a cicatrização, use preservativos para reduzir o risco de transmissão assintomática.
P: Posso pegar herpes de assentos sanitários ou piscinas? R: É extremamente improvável. O vírus do herpes não sobrevive bem fora do corpo humano. A transmissão requer contato direto pele a pele ou com fluidos corporais.
P: A alimentação influencia os surtos de herpes? R: Sim, indiretamente. Uma dieta rica em lisina e pobre em arginina pode ajudar. Além disso, uma alimentação saudável fortalece o sistema imunológico, reduzindo a probabilidade de reativações.
P: Devo tomar antivirais todos os dias? R: Depende. Se você tem herpes genital com mais de 6 recorrências por ano, a terapia supressiva diária pode ser benéfica. Converse com seu médico para avaliar se é apropriado para você.
P: Posso doar sangue se tenho herpes? R: Sim, geralmente você pode doar sangue mesmo tendo herpes. O vírus do herpes não é transmitido através de transfusões sanguíneas. No entanto, se você estiver com um surto ativo, pode ser melhor esperar até a cicatrização completa.
P: Qual é a diferença entre herpes e HPV? R: São vírus completamente diferentes. O herpes causa lesões vesiculares dolorosas, enquanto o HPV geralmente causa verrugas genitais (em alguns tipos) ou é assintomático. O HPV, em certos tipos, pode causar câncer, enquanto o herpes não.
P: Posso me vacinar contra herpes simplex? R: Atualmente, não existe vacina aprovada para herpes simplex (HSV-1 e HSV-2). A vacina disponível é apenas para herpes zóster. Porém, há pesquisas em andamento para desenvolver vacinas contra HSV.
Conclusão: Convivendo Bem com o Herpes
O herpes é uma condição viral extremamente comum que afeta bilhões de pessoas em todo o mundo. Embora não tenha cura definitiva, os avanços médicos tornaram possível controlar efetivamente














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