Transtornos Neurocognitivos: entenda os sinais, causas e como funciona a avaliação psicológica
Os transtornos neurocognitivos vêm crescendo no mundo todo, principalmente com o aumento da expectativa de vida da população. Muitas pessoas associam essas condições apenas ao esquecimento, mas elas envolvem alterações muito mais amplas, afetando memória, linguagem, atenção, comportamento, autonomia e qualidade de vida.
Segundo dados apresentados na literatura científica, mais de 55 milhões de pessoas convivem atualmente com algum transtorno neurocognitivo no mundo, número que pode triplicar até 2050. Entre os idosos acima de 85 anos, a prevalência pode chegar entre 20% e 40%.
Neste artigo do Graal da Saúde, vamos explicar de forma simples:
- o que são os transtornos neurocognitivos;
- quais os principais tipos;
- os primeiros sinais de alerta;
- como ocorre a avaliação psicológica;
- o papel do teste MoCA;
- e a importância do diagnóstico precoce.
O que são transtornos neurocognitivos?
Os transtornos neurocognitivos (TNC) são condições que causam deterioração progressiva das funções cognitivas do cérebro. Isso significa que habilidades importantes começam a ser comprometidas, como:
- memória;
- raciocínio;
- linguagem;
- atenção;
- orientação;
- tomada de decisão;
- funções executivas;
- comportamento social.
Essas alterações interferem diretamente nas atividades do dia a dia, prejudicando a independência e a autonomia da pessoa.
O termo “transtorno neurocognitivo” passou a substituir a palavra “demência” no DSM-5, manual diagnóstico utilizado na psiquiatria e psicologia. A mudança busca uma abordagem mais ampla e menos estigmatizante.
Principais sintomas dos transtornos neurocognitivos
Os sintomas podem variar conforme o tipo da doença e a região do cérebro afetada, mas alguns sinais costumam aparecer com frequência:
Sintomas mais comuns
- esquecimentos frequentes;
- repetir histórias várias vezes;
- dificuldade para encontrar palavras;
- desorientação espacial;
- alterações de humor;
- apatia e isolamento social;
- dificuldade para administrar dinheiro;
- problemas de atenção;
- perda da capacidade de resolver problemas;
- mudanças na personalidade.
Em muitos casos, os sintomas começam de forma leve e gradual, o que dificulta a percepção precoce.
Doença de Alzheimer: o transtorno neurocognitivo mais comum
A Doença de Alzheimer é a principal causa de transtorno neurocognitivo em idosos.
Ela provoca uma degeneração progressiva do cérebro, afetando inicialmente:
- memória episódica;
- orientação espacial;
- capacidade de aprendizado;
- reconhecimento de pessoas e objetos.
Com o avanço da doença, o indivíduo pode perder gradualmente:
- independência;
- capacidade de comunicação;
- controle das funções básicas;
- autonomia para atividades simples.
O que acontece no cérebro?
No Alzheimer, ocorre:
- acúmulo de proteína beta-amiloide;
- formação de placas senis;
- alterações na proteína tau;
- morte progressiva dos neurônios.
Esses processos prejudicam a comunicação entre as células cerebrais e levam à perda das funções cognitivas.
Outros transtornos neurocognitivos importantes
Transtorno neurocognitivo vascular
Está relacionado a eventos cerebrovasculares, como AVC.
Os sintomas costumam incluir:
- lentificação do pensamento;
- dificuldade de atenção;
- piora súbita após novos eventos vasculares;
- alterações executivas.
Diferente do Alzheimer, a evolução costuma ocorrer em “escadas”, com quedas repentinas do funcionamento cognitivo.
Transtorno neurocognitivo com corpos de Lewy
Nesse transtorno ocorre acúmulo anormal da proteína alfa-sinucleína nos neurônios.
Os sintomas podem incluir:
- alucinações visuais;
- alterações motoras;
- perda de orientação;
- oscilações cognitivas;
- alterações do sono;
- dificuldade de marcha.
Degeneração lobar frontotemporal
Costuma surgir antes dos 65 anos e afeta principalmente:
- comportamento;
- linguagem;
- empatia;
- controle emocional.
Muitas vezes os primeiros sintomas são confundidos com alterações psiquiátricas.
Doença de Parkinson
Embora seja conhecida pelos sintomas motores, também pode causar comprometimento cognitivo.
Os pacientes podem apresentar:
- lentificação do pensamento;
- prejuízo da memória;
- depressão;
- ansiedade;
- alterações comportamentais.
Doença de Huntington
É uma doença genética neurodegenerativa grave.
Os sintomas geralmente aparecem entre 30 e 50 anos e incluem:
- alterações motoras;
- perda cognitiva;
- mudanças comportamentais;
- prejuízo das funções executivas.
Por que o diagnóstico precoce é tão importante?
O diagnóstico precoce permite:
- iniciar intervenções rapidamente;
- retardar a progressão dos sintomas;
- melhorar a qualidade de vida;
- orientar familiares;
- adaptar o ambiente;
- preservar a autonomia do paciente por mais tempo.
Muitas pessoas acreditam que esquecer coisas faz parte do envelhecimento normal, mas quando os sintomas começam a afetar a rotina, é essencial procurar avaliação profissional.
Como funciona a avaliação psicológica nos transtornos neurocognitivos?
A avaliação psicológica é muito mais do que apenas aplicar testes. Ela busca compreender o funcionamento cognitivo, emocional e comportamental da pessoa.
O processo geralmente envolve:
- entrevistas;
- observação clínica;
- histórico familiar;
- análise do comportamento;
- testes cognitivos;
- avaliação funcional;
- exames complementares.
Além disso, os profissionais investigam o impacto dos sintomas na vida diária do paciente.
O que é o teste MoCA?
O Montreal Cognitive Assessment (MoCA) é uma ferramenta de triagem cognitiva muito utilizada para detectar comprometimento cognitivo leve e transtornos neurocognitivos.
Ele foi criado para identificar alterações sutis que muitas vezes passam despercebidas em testes tradicionais.
O que o MoCA avalia?
O teste avalia:
- memória;
- atenção;
- linguagem;
- funções executivas;
- orientação;
- raciocínio abstrato;
- habilidades visuoespaciais.
A pontuação máxima é de 30 pontos.
Em geral:
- 26 pontos ou mais = funcionamento considerado normal;
- 18 a 25 pontos = possível comprometimento cognitivo leve.
Por que o MoCA é importante?
O MoCA possui alta sensibilidade para detectar alterações precoces, principalmente em pessoas com maior escolaridade.
Ele também:
- ajuda no diagnóstico diferencial;
- auxilia no acompanhamento da progressão da doença;
- contribui para intervenções precoces;
- pode ser adaptado à realidade sociocultural do paciente.
O impacto dos transtornos neurocognitivos na família
Os transtornos neurocognitivos não afetam apenas o paciente. Toda a família passa por mudanças importantes na rotina.
É comum surgirem:
- sobrecarga emocional;
- estresse;
- insegurança;
- dificuldades financeiras;
- necessidade de adaptação da casa;
- mudanças no papel familiar.
Por isso, o suporte psicológico e a psicoeducação familiar são fundamentais.
Existe prevenção?
Nem todos os casos podem ser evitados, mas alguns hábitos ajudam a reduzir riscos e preservar a saúde cerebral.
Hábitos que ajudam na saúde cognitiva
- alimentação equilibrada;
- atividade física regular;
- sono de qualidade;
- controle da pressão arterial;
- evitar tabagismo;
- controle do diabetes;
- estímulo intelectual;
- convívio social ativo;
- acompanhamento médico regular.
Conclusão
Os transtornos neurocognitivos representam um grande desafio para a saúde pública e para as famílias. O envelhecimento populacional torna ainda mais importante o diagnóstico precoce, o acompanhamento multiprofissional e a conscientização sobre os primeiros sinais.
A avaliação psicológica e instrumentos como o MoCA têm papel essencial na identificação precoce dessas alterações, permitindo intervenções que podem preservar a qualidade de vida e a autonomia do paciente por mais tempo.
Com informação, suporte e acompanhamento adequado, é possível enfrentar essas condições de forma mais humanizada e eficiente.














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