DIU: o guia completo para entender como funciona, para que serve e quais modelos existem
O DIU, sigla para dispositivo intrauterino, é um dos métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis atualmente, e também um dos mais cercados de dúvidas e informações desencontradas. Muitas mulheres ainda têm receio de considerar essa opção por puro desconhecimento, enquanto outras já adotaram o método e relatam grande satisfação com a praticidade e a eficácia que ele proporciona.
Neste artigo, vamos explicar de forma completa e acessível como o DIU funciona, para quem ele é indicado, quais são os modelos disponíveis no mercado atualmente, e quais cuidados e informações você precisa ter em mente antes de conversar com seu ginecologista sobre essa possibilidade.
O que é o DIU
O DIU é um pequeno dispositivo, geralmente em formato de T, inserido dentro do útero por um profissional de saúde, com a função de prevenir a gravidez de forma prolongada, podendo permanecer no corpo por vários anos, dependendo do modelo escolhido.
Existem dois grandes grupos de DIU disponíveis atualmente, que funcionam de formas bem diferentes entre si:
- DIU de cobre, um método não hormonal.
- DIU hormonal, que libera progesterona sintética de forma contínua e localizada.
Vamos entender detalhadamente o funcionamento de cada um deles.
Como funciona o DIU de cobre
O DIU de cobre é feito de plástico flexível revestido por fios de cobre, e seu mecanismo de ação não envolve hormônios. Ele atua, principalmente, através dos seguintes mecanismos:
- O cobre libera íons que criam um ambiente hostil para os espermatozoides dentro do útero, reduzindo bastante sua mobilidade e sua capacidade de fertilizar o óvulo.
- Esse mesmo ambiente também interfere no transporte do óvulo pelas trompas, reduzindo ainda mais as chances de fertilização.
- O DIU de cobre também provoca uma reação inflamatória local, leve e controlada, dentro do útero, que contribui para o efeito contraceptivo, tornando o ambiente uterino menos favorável à implantação.
Esse método não interfere na ovulação, que continua acontecendo normalmente todos os meses, já que seu mecanismo de ação está relacionado à prevenção da fertilização e não à supressão hormonal do ciclo.
Vantagens do DIU de cobre
- Não contém hormônios, sendo uma excelente opção para mulheres que preferem ou precisam evitar métodos hormonais, seja por contraindicação médica, efeitos colaterais prévios ou preferência pessoal.
- Apresenta eficácia muito alta, superior a 99 por cento, sendo um dos métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis atualmente.
- Pode permanecer no corpo por um longo período, dependendo do modelo, geralmente entre cinco e dez anos, representando uma ótima relação custo-benefício ao longo do tempo.
- O retorno da fertilidade acontece de forma imediata após a remoção do dispositivo, já que não existe nenhuma supressão hormonal envolvida nesse método.
Possíveis efeitos colaterais do DIU de cobre
- Aumento do fluxo menstrual, especialmente nos primeiros meses após a inserção.
- Cólicas menstruais mais intensas em algumas mulheres, principalmente no início do uso.
- Esses efeitos costumam ser mais pronunciados nos primeiros três a seis meses, tendendo a se estabilizar com o tempo, embora algumas mulheres continuem notando um fluxo menstrual um pouco mais intenso ao longo de todo o uso do dispositivo.
Como funciona o DIU hormonal
O DIU hormonal também tem o formato em T, mas, diferente do modelo de cobre, libera continuamente uma pequena quantidade de um hormônio chamado levonorgestrel, um tipo de progesterona sintética, diretamente dentro do útero.
Seu mecanismo de ação envolve principalmente:
- Espessamento do muco cervical, tornando-o mais denso e dificultando bastante a passagem dos espermatozoides em direção ao útero.
- Afinamento do endométrio, a camada interna do útero, o que reduz significativamente as chances de implantação e também costuma diminuir bastante o volume do sangramento menstrual.
- Em alguns casos, especialmente nos modelos com maior dosagem hormonal, também pode haver supressão parcial ou completa da ovulação em algumas mulheres, embora esse não seja o mecanismo principal do método.
Como a liberação hormonal acontece de forma localizada, diretamente no útero, a quantidade de hormônio que circula pelo restante do corpo é bem menor em comparação com métodos hormonais sistêmicos, como a pílula anticoncepcional tradicional.
Vantagens do DIU hormonal
- Eficácia também superior a 99 por cento, estando entre os métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis atualmente.
- Costuma reduzir bastante o volume do sangramento menstrual, sendo, inclusive, utilizado como tratamento específico para mulheres com sangramento menstrual muito intenso, mesmo quando a contracepção não é o objetivo principal.
- Em boa parte das usuárias, a menstruação se torna bem mais escassa ao longo do tempo, e algumas mulheres chegam a parar de menstruar completamente durante o uso, o que é considerado seguro do ponto de vista médico.
- Pode permanecer no corpo por um período que varia, dependendo do modelo específico, geralmente entre três e oito anos.
- Por liberar o hormônio localmente, costuma apresentar menos efeitos colaterais sistêmicos em comparação com métodos hormonais orais.
Possíveis efeitos colaterais do DIU hormonal
- Sangramentos irregulares ou de escape, mais comuns nos primeiros meses após a inserção, tendendo a se estabilizar com o tempo.
- Em algumas mulheres, sintomas relacionados à presença do hormônio, como sensibilidade mamária, alterações de humor ou dor de cabeça, especialmente no início do uso.
- Possível formação de pequenos cistos funcionais nos ovários em algumas usuárias, geralmente sem necessidade de tratamento específico, já que costumam regredir espontaneamente.
Quais modelos existem no mercado
Atualmente, existem diferentes marcas e modelos de DIU disponíveis, tanto de cobre quanto hormonais, variando principalmente em relação ao tamanho, à dosagem hormonal e ao tempo de duração de cada um. É importante destacar que a disponibilidade específica de cada modelo pode variar conforme o país e a rede de saúde, pública ou privada, e a escolha do modelo mais adequado deve sempre ser feita em conjunto com seu ginecologista.
Modelos de DIU de cobre
- Existem variações no tamanho e na quantidade de superfície de cobre presente no dispositivo, o que pode influenciar tanto a eficácia quanto a intensidade dos efeitos colaterais relacionados ao fluxo menstrual.
- Alguns modelos são indicados com duração de uso de cinco anos, enquanto outros podem ser utilizados por até dez anos, sendo essa informação sempre fornecida pelo fabricante e pelo profissional responsável pela inserção.
Modelos de DIU hormonal
- Existem modelos com diferentes dosagens de levonorgestrel, sendo alguns indicados principalmente para contracepção com duração mais longa, e outros com dosagem menor, muitas vezes indicados também para mulheres mais jovens ou que ainda não tiveram filhos, além de modelos de tamanho reduzido, pensados especificamente para úteros menores.
- A duração de uso também varia entre os modelos disponíveis no mercado, geralmente entre três e oito anos, dependendo da dosagem hormonal e das orientações específicas de cada fabricante.
Vale reforçar que a escolha entre os diferentes modelos disponíveis deve ser feita com base em uma avaliação individualizada, considerando histórico de saúde, características do útero, padrão menstrual e objetivos específicos de cada mulher, sempre com orientação do ginecologista responsável.
Para quem o DIU é indicado
O DIU é considerado seguro e indicado para a grande maioria das mulheres, incluindo aquelas que nunca engravidaram, contrariando um mito antigo de que o método seria indicado apenas para mulheres que já tiveram filhos. Ainda assim, alguns perfis costumam se beneficiar especialmente desse método:
- Mulheres que buscam um método contraceptivo de longa duração, sem a necessidade de lembrar de tomar uma pílula diariamente ou repor o método com frequência.
- Mulheres que não podem ou não desejam utilizar métodos hormonais sistêmicos, no caso específico do DIU de cobre.
- Mulheres com sangramento menstrual muito intenso, que podem se beneficiar especificamente do efeito terapêutico do DIU hormonal sobre o fluxo menstrual.
- Mulheres que amamentam, já que o DIU, tanto o de cobre quanto o hormonal, é considerado compatível com a amamentação, ao contrário de alguns outros métodos hormonais que podem interferir na produção de leite.
- Mulheres que desejam adiar uma nova gravidez por um período mais longo, sem perder a possibilidade de engravidar rapidamente após a remoção do dispositivo, quando desejarem.
Situações que exigem avaliação mais cuidadosa
Embora o DIU seja seguro para a maioria das mulheres, algumas situações exigem avaliação médica mais cuidadosa antes da indicação do método, incluindo:
- Infecções pélvicas ativas ou recentes.
- Alterações anatômicas significativas do útero.
- Sangramento vaginal sem causa identificada.
- Alguns tipos específicos de câncer, que precisam ser avaliados individualmente pelo médico responsável.
Por isso, a indicação do DIU sempre deve passar por uma consulta ginecológica completa, incluindo histórico de saúde detalhado e, em alguns casos, exames complementares, antes da decisão final sobre a inserção do dispositivo.
Como é feita a inserção do DIU
O procedimento de inserção do DIU é realizado em consultório, por um ginecologista, e costuma ser relativamente rápido, levando poucos minutos em condições normais. Alguns pontos importantes sobre esse processo:
- O procedimento pode causar desconforto, do tipo cólica, durante e logo após a inserção, sendo esse desconforto geralmente temporário e controlável com analgésicos comuns, orientados pelo próprio médico.
- Algumas mulheres sentem mais desconforto do que outras durante o procedimento, e conversar abertamente com o médico sobre eventuais receios ou histórico de dor pode ajudar a planejar estratégias para tornar o processo mais confortável.
- Após a inserção, é comum que o médico solicite um retorno em algumas semanas, para confirmar o posicionamento adequado do dispositivo através de exame físico ou ultrassonografia.
- É importante que a mulher aprenda a verificar periodicamente os fios do DIU, geralmente orientada pelo próprio médico sobre como fazer essa checagem em casa, garantindo que o dispositivo permaneça corretamente posicionado.
Dúvidas comuns sobre o DIU
O DIU dói para colocar
A sensação de desconforto varia bastante entre as mulheres. Algumas relatam apenas uma cólica leve e passageira, enquanto outras sentem um desconforto mais intenso durante o procedimento. Conversar previamente com seu médico sobre estratégias para reduzir esse desconforto, como o uso de analgésicos antes do procedimento, pode ajudar bastante.
O DIU pode sair do lugar sozinho
Embora seja uma situação pouco comum, existe, sim, uma pequena possibilidade de expulsão espontânea do DIU, principalmente nos primeiros meses após a inserção. Por isso, é importante realizar o acompanhamento médico recomendado e verificar periodicamente a presença dos fios do dispositivo.
O DIU protege contra infecções sexualmente transmissíveis
Não. O DIU, seja de cobre ou hormonal, não oferece nenhuma proteção contra infecções sexualmente transmissíveis, sendo recomendável o uso combinado de preservativo para essa proteção adicional, especialmente em relacionamentos não monogâmicos ou com parceiros cujo status de saúde sexual você não conhece com certeza.
É possível engravidar com o DIU colocado
Embora extremamente raro, dado o alto nível de eficácia do método, existe uma pequena possibilidade de gravidez mesmo com o DIU corretamente posicionado. Caso isso aconteça, é fundamental buscar avaliação médica imediata, já que a gravidez com DIU requer acompanhamento especializado.
Depois de remover o DIU, demora para engravidar
Não. Tanto no caso do DIU de cobre quanto do hormonal, a fertilidade retorna rapidamente após a remoção do dispositivo, não havendo um período prolongado de espera necessário para uma tentativa de gravidez, ao contrário do que algumas pessoas ainda acreditam.
Como decidir qual DIU é mais indicado para você
A escolha entre o DIU de cobre e o DIU hormonal, assim como entre os diferentes modelos disponíveis, depende de diversos fatores individuais, e o ideal é sempre conversar abertamente com seu ginecologista sobre:
- Seu padrão menstrual atual e se você tem interesse em reduzir o volume do sangramento menstrual.
- Histórico de sensibilidade a hormônios ou efeitos colaterais prévios com outros métodos contraceptivos hormonais.
- Seu planejamento familiar, incluindo o tempo que você deseja utilizar o método antes de uma eventual troca ou tentativa de gravidez.
- Características anatômicas do seu útero, avaliadas durante a consulta ginecológica.
- Custos envolvidos, já que os valores podem variar bastante entre os diferentes modelos disponíveis, e também conforme a disponibilidade dentro da rede pública ou privada de saúde.
Um lembrete importante
Este artigo tem caráter educativo, com o objetivo de explicar de forma completa e acessível o funcionamento do DIU e os modelos disponíveis no mercado. Ele não substitui consulta individualizada com um ginecologista, profissional capacitado para avaliar seu histórico de saúde, suas características individuais e indicar, junto com você, o método contraceptivo mais adequado ao seu caso específico.
Considerações finais
O DIU é um método contraceptivo altamente eficaz, seguro e prático, disponível em duas grandes categorias, o DIU de cobre, sem hormônios, e o DIU hormonal, que libera progesterona localmente no útero. Cada um desses modelos tem seu próprio mecanismo de ação, suas vantagens específicas e seus possíveis efeitos colaterais, sendo fundamental conhecer essas diferenças para fazer uma escolha mais informada e alinhada com suas necessidades individuais.
Independentemente do modelo escolhido, o DIU representa uma excelente opção para mulheres que buscam um método contraceptivo de longa duração, com alta eficácia e praticidade no dia a dia, sem a necessidade de lembranças diárias características de outros métodos. A decisão final, no entanto, deve sempre passar por uma conversa aberta e detalhada com seu ginecologista, que poderá avaliar seu histórico e suas características individuais para indicar a melhor opção para você.
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